sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Resumo de uma vida...

Há pouco mais de um mês, tive a primeira experiência de sair do país e saber como é ficar um tempo longe não só da sua casa mas também da cultura e língua que são os únicos com que tivera contato até então. Imagine-se então o que seja sair em definitivo de seu país sem qualquer perspectiva - no sentido de possibilidades - em relação ao que fazer da vida, de como sobreviver longe de todos que foram sua vida até aquele momento.
Acrescente-se a isso o fato de a viagem não ser de avião, ônibus ou carro; o fato de não ser uma viagem rápida daquelas que se levam algumas horas ou mesmo algunas dias para se realizar; considere uma viagem de navio, que demora meses e ao longo da qual a paisagem não muda muito, é quase a mesma (isso não tira a beleza que o mar tem, sobretudo quando se vê o nascer ou o pôr-do-sol, mas tudo que se repete por muito tempo para nós enjoa, mesmo o mar).
Ainda não satisfeito, acrescente ainda o fato de se partir de uma pequena ilha no Atlântico, num povoado tranqüilo, basicamente agrícola e piscicultor para a maior cidade de um país, em plena época de explosão industrial, urbana, econômica e populacional - fora outros adjetivos... Partindo-se de um regime político ditatorial para um regime relativamente democrático, em uma economia que se estava abrindo ao mercado externo. Partindo-se de uma cultura muito rígida quanto a comportamento, em que moral e honestidade estavam acima de quaisquer outros valores, para um lugar onde são latentes a libertinagem, a vantagem que se quer levar em cima de tudo (apenas uma caricatura do Brasil nos anos 50, sem a intenção de ser preconceituoso, mas com a vergonha de identificar uma certa dose de verdade).
No dia após a chegada no Porto de Santos, já conseguir emprego como carregador de carvão numa chácara na Serra da Cantareira. Depois disso, à base de muito trabalho, conseguir comprar um minicaminhão para fazer entrega de pão e, posteriormente, ser dono de padaria por mais de 30 anos.
Formar família e manter um casamento por mais de 45 anos, apesar de problemas de relacionamento com esposa e filhos, vivendo boa parte dos dias e dos anos sozinho, ou, alguns momentos somente com a esposa ao lado. Após isso, perdê-la diante de si, nos próprios braços, devido a um ataque cardiáco fulminante ao ver a primôgenita num caixão depois de uma viagem de 6h para o traslado do corpo.
Passar a viver então totalmente sozinho, pois nem os outros filhos conseguem conviver consigo por considerarem-no um louco que não diz "coisa com coisa". Considerá-los ingratos por ter-lhes dado de que comer, vestir, sem qualquer restrição de liberdade.
Sobreviver num mundo cujas letras e palavras lhe são estranhas por nunca aprender a escrever no idioma desse país para o qual migrou, mesmo sendo a mesma língua que seus pais fala(va)m. Precisar da ajuda dos poucos amigos, na verdade pessoas com que se tem aquelas relações sociais convencionais ao longo de muito tempo sem uma aproximação (a)(e)fetiva, para poder saber o que está escrito em qualquer papel.
Este é um pequeno e pretenso resumo da vida de meu avô materno, que completa 80 anos nesta data. Não convém entrar nos detalhes propositalmente ocultos por serem somente de interesse familiar, mas cabe saber que o povoado mencionado é Funchal, na Ilha da Madeira.
Ouço sempre histórias completamente diferentes das que sempre ouvi de minha mãe nas poucas vezes em que o visito. Dizem que ninguém é santo, mas, ao mesmo tempo, dizem que há muitos demônios neste mundo; há exageros nos dois lados, e meu avô não está em nenhum deles. Quando ouço suas histórias (não escrevo estórias), faço a comparação imediata com o que ouvi anteriormente e fico com minhas impressões - não opiniões porque é não as ter neste caso, para não julgar - as quais tentei aqui resumir.
O fato além de qualquer julgamento é que a vida de meu avô não foi fácil, e isso é claro e evidente, por isso esta homenagem, da qual ele não terá condições de saber, mas isso não faz com que deixe de ser feito, porque... bem o porquê fica para mim.
Algumas de suas frases: "Estude, meu filho, porque educação ninguém tira da gente", "Se ganhar 10, gasta 9 e guarda 1", "Tive sociedade durante 31 anos, não foram 31 dias" (sempre relacionando isso a outras frases sobre honestidade, algo de que se orgulha).
Parabéns!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Crônica de um almoço...

Ontem, durante o almoço - modo de dizer, força de expressão, pois não há tempo para isso - uma senhora de idade interpelou-me, mostrou-me o braço, no qual indicava a região próxima ao cotovelo esquerdo, e pediu-me ajuda para comprar um remédio para uma enfermidade cutânea na região indicada.
Pedi a ela que esperasse um momento enquanto pensava rapidamente sobre ajudar... Depois de um rápido "estalo", resolvi fazer a famosa varredura na carteira. Enquanto isso, o companheiro de almoço - ainda mais raros que um "almoço" - perguntou: "A senhora não quer que a gente compre na farmácia para a senhora?". Nisso já percebi sua intenção. A senhora respondeu imediatamente um tanto surpresa: "Não, não precisa". Insistiu novamente: "Eu vou com a senhora na farmácia e compramos o remédio". A resposta: "Mas eu não tenho a receita".
Com a licença devida: é óbvio, pequeno gafanhoto, que, de modo algum, ela poderia comprar o remédio sem a receita, mas isso não lhe convinha. Mesmo ciente disso, peguei algumas moedas e ofereci-lhe; a surpresa foi a ríspida reação: "Isso não dá pra nada!!!". E jogou as moedas de volta em cima da mesa...
Daí a pretensa reflexão que me surge: mesmo ciente do "golpe", tentei ajudar - isso não me surge como uma desculpa ou uma vaidade (Nieztsche escreveu algo como: "se dependesse apenas de caridade, os mendigos morreriam de fome"). Tirar lição de situações como esta e ser cético será o correto? Será que sempre vale a pena tirar a lição das coisas e pô-las em prática? (Esse pensamento é autodestrutivo)
E surge mais uma frase ainda retumbante de "O Labirinto de Fauno": "A Inocência tem um Poder que o Mal não pode imaginar!". Amém!

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Uma frase, uma realidade?

"Não existe magia para mim, não existe magia para você, para ninguém, Ofélia", em O Labirinto de Fauno

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Empate sem empatia

O empate em 0 a 0 com o Audax Italiano (!!!), do Chile (????), ontem, pela estréia na Libertadores 2007 foi realmente decepcionante pela falta de empenho real demonstrada pelo time. O domínio da partida foi praticamente total, facilitada por um adversário discutível - ou rísivel, inexistente, a gosto - que nenhum perigo considerável criou à zaga tricolor.
E na zaga esteve o "problema": se não havia perigo, por que manter três zagueiros? Para possibitar que os alas avançassem. Grande! Estavam avançados demais com a bola e recuados demais sem ela: sem a bola, não pressionavam a saída de bola adversário ao passo que, com ela, estavam estático - prefiro que cheguem detrás aproveitando-se de espaços deixados na defesa adversária. Devido a isso, o time jogava demais pelas laterais, mas quase não ocorriam penetrações; quando ocorriam, eram acionadas por meio de lançamentos do Alex Silva a "la Fabão" (um horror!). A entrada de um meia, no lugar de um zagueiro, permitiria uma articulação melhor de jogadas tanto pelo meio como pelas pontas, além de ser mais um que pudesse chuter a gol - somente dois chutes foram no gol durante o jogo.
O único alento de ontem foi a lembrança de que, em todas as vezes que ganhou a Libertadores, o Tricolor não venceu. Que o mesmo ocorra este ano!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

...

Nada como nada ter para escrever!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Pergunta do dia

"Onde está sua alma?" - Vania Abreu