Ontem, durante o almoço - modo de dizer, força de expressão, pois não há tempo para isso - uma senhora de idade interpelou-me, mostrou-me o braço, no qual indicava a região próxima ao cotovelo esquerdo, e pediu-me ajuda para comprar um remédio para uma enfermidade cutânea na região indicada.
Pedi a ela que esperasse um momento enquanto pensava rapidamente sobre ajudar... Depois de um rápido "estalo", resolvi fazer a famosa varredura na carteira. Enquanto isso, o companheiro de almoço - ainda mais raros que um "almoço" - perguntou: "A senhora não quer que a gente compre na farmácia para a senhora?". Nisso já percebi sua intenção. A senhora respondeu imediatamente um tanto surpresa: "Não, não precisa". Insistiu novamente: "Eu vou com a senhora na farmácia e compramos o remédio". A resposta: "Mas eu não tenho a receita".
Com a licença devida: é óbvio, pequeno gafanhoto, que, de modo algum, ela poderia comprar o remédio sem a receita, mas isso não lhe convinha. Mesmo ciente disso, peguei algumas moedas e ofereci-lhe; a surpresa foi a ríspida reação: "Isso não dá pra nada!!!". E jogou as moedas de volta em cima da mesa...
Daí a pretensa reflexão que me surge: mesmo ciente do "golpe", tentei ajudar - isso não me surge como uma desculpa ou uma vaidade (Nieztsche escreveu algo como: "se dependesse apenas de caridade, os mendigos morreriam de fome"). Tirar lição de situações como esta e ser cético será o correto? Será que sempre vale a pena tirar a lição das coisas e pô-las em prática? (Esse pensamento é autodestrutivo)
E surge mais uma frase ainda retumbante de "O Labirinto de Fauno": "A Inocência tem um Poder que o Mal não pode imaginar!". Amém!