quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
As três formas de mudar
Fazendo dele seu destino,
Sigo-a em toda parte
E eu mudo...
Tal como a sombra da árvore
Que o sol molda pelo dia,
Assim me transforma ela
E eu mudo...
Tal como o olhar fita o ocaso
Silencia o observador,
Assim ela a mim cala
E eu mudo...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Crônicas de Somos Paulo
Dessa vez, o caroço foi longe. Caroços caem como bailarinos não sabem. Devo ser a mãe de muitas árvores, pois o infinito acontece quando eu me retiro. Então, quando a feira acabar, seguirei os meus passos de pés gigantescos até me esquecer, para sempre, desse caroço caído no chão. Vou me sentar em frente àquela janela e recomeçar o meu trabalho, sem sequer me lembrar que a terra continuará o dela. Seguirei a minha vida como se não fosse a culpada por tantas árvores de maçã. Passarei por elas como se sempre estivessem ali, talvez, eu pisando e esmagando os brotos de outrém. Para mim, é apenas a fotografia de um caroço jogado na terra, vista por um gigante velho, de vestido roto. Mas se brotar, Gulliver, se brotar, serei apenas um tronco, envelhecido e ingrato, descansando no meio da sombra. Eu gosto de andar pelas ruas de Santo André e pelas ruas de são tão lindas. Eu gosto das cidades em terceira pessoa do plural, mas vou me mudar para a cidade de Somos Paulo, onde todos têm o mesmo nome e todos se dizem bom dia. O menino veste uma calça comprida, um olhar esmurrado e traz uma maldade no peito, como um broche de flores feridas e pétalas não cicatrizadas. Disse o pingüim dessa casa que o medo guardado fora da geladeira apodrecia em maldade de medo. Essa é a que se espalha pelo seu corpo, sem que você perceba, e faz com que se afaste de outras pessoas. Longe, não consegue entender o motivo delas. E nem elas, o seu. Mas o seu coração continua numa bondade que ninguém mais entende e, então, chamam aquilo de maldade. Assim era o menino, tentando ser bom, a sua maneira. Agora há pouco, por exemplo, ficou parado no meio da rua, olhando o cachorro pulguento. Os olhos fundos daquele cachorro, que sabia enxergar o fundo da gente. O menino quis voltar para casa. O cachorro foi atrás. O menino parou. O cachorro parou, sentou-se e inclinou a cabeça. O menino voltou a andar. O cachorro acompanhou. Quando o menino virou para trás, chutou a cara do cachorro, para que não esperasse o amor que ele podia dar. E, mesmo assim, o menino tem olhos de esperanças. As pessoas más são as que mais têm esperanças no mundo. Só quem reconhece a própria maldade sabe que, no escuro da noite, um travesseiro é incapaz de abraçar. Quando o menino cresceu e apanhou do ladrão, apanhou e apanhou, ergueu os olhos machucados e disse: agora você pode me matar, agora você pode chutar a minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino abraçado às pernas da sua mãe. O ladrão engoliu dois goles de raiva e saudade, talvez de um tempo que não era oco de mãe, talvez dos sonhos de futebol, ele agora um homem chutando as pedras, sozinho no gramado, a mãe com vergonha dele. E só agora, olhando a maldade lá fora, eu enxergo o meu rosto refletido no vidro. O ladrão não está sozinho. O menino não está sozinho. Paulo não está sozinho. A noite é uma coreografia de condenados, dançando e rolando na cama, com o travesseiro incapaz de abraço. Então, a maldade é isso? A maldade é esse que chora, sozinho, a sua mão cheia de espinhos? Se a maldade for isso, se for esse desamparo e essa solidão, esse medo que. O ladrão acerta o seu primeiro golpe. O soco desliza sobre a boca de Paulo, em câmera lenta, enquanto gotas de sangue flutuam no ar. Os antebraços tentam forjar as verdades, na frente do rosto, mas o ladrão atinge o estômago. O corpo de Paulo encurva-se para a frente, abraçando o vazio de um desamparo. Paulo ergue os olhos machucados e diz: agora você pode me matar, agora você pode chutar a minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino, abraçado às pernas da sua mãe. O ladrão engole dois goles de raiva e saudade, talvez de um tempo que não era oco de mãe, talvez dos sonhos de futebol, ele agora um homem chutando as pedras, sozinho no gramado, a mãe com vergonha dele. E só agora, olhando a maldade lá fora, eu enxergo o meu rosto refletido no vidro. O ladrão não está sozinho. O menino não está sozinho. Paulo não está sozinho. No meio da rua, Paulo e os violentos, Paulo e os condenados. Paulo e os ignorantes de amor. Todos no chão, encolhidos e ajoelhados, como sementes de pedra daninha, incapazes de brotar. Ao lado de fora, uma árvore cresceu para cima enquanto uma rua se deitou. Há uma página de um livro sendo pisada no meio da calçada, enquanto o jornal tenta voar, pendurando-se no vento. O jornal pousa em triângulo sobre a terra, do mesmo jeito que Paulo tenta levantar o corpo, esmurrado pelo ladrão. Depois de um dia inteiro enrolando bananas na feira, é claro que o jornal acreditaria no mendigo, dizendo que o asfalto é só uma noite dura e sem estrelas. O dia dormindo em trapos remendados de sol, enquanto a noite faminta arranca os sonhos com as mãos. Mais outro dia derreado pela noite e aquele homem quem será. Aquele, que um dia foi menino a dormir no ventre da mãe e hoje é mendigo, a dormir curvado do frio, na posição do feto que um dia foi. E, agora, tão encolhido que o vento não haveria de encontrá-lo ali. Era só fingir-se de morto, porque os mortos, sem ao menos respirar, enganam o frio, o vento e a fome. As bananas da feira sendo enroladas pelas histórias de Paulo. Um cachorro expulsando pulgas sobre as histórias de Paulo. O estômago do mendigo gargalhando sob as histórias de Paulo. O ladrão limpando o cocô do sapato sobre as histórias de Paulo. E eu acariciando o jornal. O menino levanta um aviãozinho porque não sabe que o ódio explode em bombas, chamas de fogo num vermelho voar. Como os pássaros vão entender? Como os pássaros vão suportar voar outra vez? O caraço no meio da feira não viu a flor sufocada nas pedras. E a flor não sabe que da terra também o ódio se explode em campos minados, onde menos se espera, onde menos se pisa. Como as sementes vão entender? Como as sementes vão suportar brotar outra vez? O soldado pegou a arma lentamente. Segurou-a entre as mãos e abriu os olhos, na esperança de que fosse um girassol. Mas sementes ao reverso plantavam a morte no peito do outro e, por isso, ele calou. O inimigo caiu no chão e levantou a mão com os dedos abertos. Um pedaço de braço tentando brotar do chão estéril e murchando em seguida, com os últimos raios de vida. Eles, completamente estranhos, já eram inimigos. O girassol apontado para o céu. Da boca. E foi então que dois meninos, de cabelos reluzentes, entraram correndo pelos campos concentrados de flores. Duas armas de plástico, compradas na feira, explodiam em tiros ao som da bochecha e eles se arrastavam pelo chão. Escondido atrás da barraca de peixes estendidos, o menino pegou a arma lentamente. Segurou-a entre as mãos e abriu os olhos, na esperança de que fosse de verdade. Mas era. Agora você pode me matar, disse o menino crescido, agora você pode atirar na minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino, abraçado às pernas da sua mãe. A mãe com os olhos de fúria, com as mãos na garganta do menino. Pétalas enfeitando o seu cabelo, pétalas caindo por toda parte, até que a mãe precise de suas mãos para costurar a manta que vai aquecer o menino. Ela cobre o menino até o pescoço e beija a sua face, acaricia a sua barriga esperando o menino chegar. Sua mãe como um anjo brilhando entre as pétalas que curam o pescoço ferido do menino. O menino tira as mãos da mãe do seu pescoço. Eles precisam juntos brincar de passa-anel, rindo até a brincadeira acabar. Quando a brincadeira acaba, a mãe aperta mais um pouco o pescoço dele, aperta, aperta, até que aperte tão forte que os braços fiquem com vontade de abraçar e, assim, a mãe pára de enforcar o menino porque os seus braços abraçam. Um abraço tão bom que o menino nem se lembra mais das mãos em seu pescoço. Ele, que nasceu direto do coração da sua mãe, agora jaz sobre a terra, em companhia de um caroço de maçã. Essa é a cidade de Somos Paulo, onde todos têm o mesmo nome e todos se dizem bom dia.
Por Rita Apoena
domingo, 12 de outubro de 2008
O futuro no dia das crianças
US$ 700 bilhões contra a pobreza
ODED GRAJEW
Que "caia a ficha": não há ausência de idéias ou de recursos para acabar com as mazelas sociais. O que falta é vontade política |
O GOVERNO norte-americano solicitou e obteve, em regime de urgência, autorização do Congresso para usar US$ 700 bilhões a fim de salvar o sistema financeiro.
Essa montanha de dinheiro estava disponível, da mesma forma como está disponível o montante de dólares -aproximadamente US$ 1 trilhão- investido anualmente pelos países em armas e operações militares.
Ao mesmo tempo, dois bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no mundo. A ONU estima que aproximadamente US$ 150 bilhões anuais seriam necessários para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Estabelecidos em 2000, prevêem para 2015 acabar com a fome e reduzir drasticamente a pobreza, as mazelas sociais e a degradação ambiental. Nem a metade dos recursos necessários foi até agora arrecadada. Conseqüentemente, prevê-se que as metas não serão atingidas.
Para todos os que se preocupam com as questões sociais e ambientais, é fundamental que "caia a ficha". Não há carência de idéias nem ausência de recursos para acabar com as mazelas sociais e proporcionar uma vida digna a todos os habitantes do planeta e assegurar o desenvolvimento sustentável às futuras gerações. O problema é a falta de vontade política da maioria dos governantes.
Tenho confirmado em inúmeras ocasiões essa constatação. A título de ilustração, posso citar dois acontecimentos que presenciei.
O primeiro deles ocorreu em 2005 por ocasião da Assembléia Geral da ONU. Cento e vinte chefes de Estado e representantes governamentais se reuniram para avaliar o andamento dos ODM, bem abaixo da expectativa.
Todos os governantes que falaram foram surpreendentemente francos, fizeram uma autocrítica e reconheceram unanimemente que o problema não é falta de recursos nem de idéias, mas apenas falta de vontade política.
A segunda ocasião também foi na ONU, num encontro de representantes da sociedade civil com Michel Camdessus, diretor-geral do FMI na época. De forma assustadoramente sincera, ele nos confessou que fora surpreendido alguns dias antes pelo presidente da Indonésia com uma pergunta sobre a melhor forma de combater a pobreza no seu país. Como não soube responder, porque nunca se debruçara sobre essa questão, queria os nossos conselhos.
A vontade política da maioria dos governantes (com poucas e honrosas exceções) não é exercida nos assuntos que não afetam diretamente a eles ou aos financiadores de suas campanhas.
Eles não vivem na pobreza, não passam fome nem participam pessoalmente das guerras que declaram.
No entanto, agem rapidamente para combater a crise financeira que atinge diretamente suas vidas. No Brasil -onde há uma das maiores cargas tributárias do mundo-, os serviços públicos são de tão baixa qualidade que a maioria dos governantes e financiadores de campanha não os utilizam. Aposto que a vontade política de melhorar educação, saúde e transporte público aumentaria consideravelmente se fossem utilizados por eles e suas famílias. Por isso é tão importante uma reforma política que elimine o financiamento privado das campanhas eleitorais e estimule a participação ativa da sociedade no acompanhamento do debate e da execução dos orçamentos públicos.
Será que estamos condenados a agir apenas após as grandes catástrofes, que, pela sua dimensão, acabam atingindo a todos? Nunca, em toda a história da humanidade, foi tão necessário agir preventivamente.
Aumenta a cada dia a distância entre ricos e pobres. Estamos esgotando rapidamente os recursos naturais. A humanidade está consumindo 50% a mais do que o planeta é capaz de repor. Estamos acabando com as florestas, envenenando rios, mares e o ar que respiramos. O aquecimento global já provoca grandes mudanças climáticas, derrete as calotas polares e eleva o nível dos oceanos.
Temos recursos e tecnologia para acabar com a fome e a pobreza, mudar a matriz energética e produzir produtos e serviços de baixo impacto ambiental. Os meios de comunicação, de informação e a indústria cultural têm poder para mudar, para melhor, comportamentos, prioridades e valores.
Será que devemos esperar novamente uma grande e, talvez, definitiva catástrofe para mobilizar todos esses recursos e só então trocar nosso insano modelo de crescimento por um outro que vise o desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável? Tomara que não. Depende de todos e de cada um de nós.
ODED GRAJEW, 64, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).
domingo, 22 de junho de 2008
Olha estas velhas árvores, — mais belas,
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas...
Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
Olavo Bilac
domingo, 4 de maio de 2008
Para explodir
"Sabe, acho que ninguém vai entender. Ou, se entender, não vai aprovar. Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de carinho e boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for um bom menino, eu vou lhe dar um chocolate. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca desse amor. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, pára de dar carinho e corre para bem longe de você? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de abandono, e corre em direção aos braços mais quentinhos. E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Na minha opinião, é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro.
Eu também tenho medo, dragões aterrorizantes que atacam de quando em quando, mas eu não acredito em nada disso. Quando eu saí de uma importante depressão, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar do planeta! Haveria de existir! Nem que este lugar fosse apenas dentro de mim... Mesmo que ele não existisse mais em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construi-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor e eu nunca mais ficaria doente. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi um bom menino. Ou porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, um banquinho cheio de almofadas coloridas e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banquinho do nosso amor, o nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas.
No mundo de cá, as relações se dão na superfície. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto você estiver na outra, saudável, amoroso e alto-astral, nós nos amamos. Se você afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso, nem mesmo no sexo. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso não é nada fácil, porque existem os dragões do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juízo. Mas se eu não atravessar isso agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu livrinho será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, feito um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote, é a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente é acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu não quero passar a minha existência pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relações humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silêncio, a cem metros de distância. Eu e o meu boneco de infância, porque no meu mundo a gente não abandona sequer os bonecos que foram nossos amigos um dia.
Agora em silêncio, tentando ensinar dragões a nadar."
O mundo
"Existem coisas que, sozinhos, não conseguimos mudar. Eu sempre fico triste quando vejo alguém jogado na rua, à margem desse sistema. Mas se eu ficar triste, só triste, eu serei mais uma a aumentar as tristezas no mundo. E a tristeza só consegue nos deixar fracos e inertes. O que o mundo precisa é de um exército de gente feliz, capaz de doar um pouco de si e do que sabe, capaz de fazer a diferença na vida de algumas pessoas. Meus braços não são do tamanho do mundo, mas foram feitos no tamanho exato de abraçar alguém."
Moça
"Não estou falando de um mundo cor-de-rosa ou de pessoas perfeitas, sempre prontas para nos acolher, amar, caminhar ao nosso lado. Não falo disso, mas da tristeza nos olhos de quem vira as costas e a gente não vê. A beleza por dentro de um peito encouraçado que a gente não sente. A solidão de quem afasta um amor e se deita em camas tão frias. É do instante quando os olhos se perdem no nada e nenhuma mentira é capaz de enganar si mesmo. É desse instante solitário, desse instante sem abraço, que eu digo. Todo mundo vai virar as costas ou dizer que merece coisa melhor ou debochar das mentiras que eles contaram... mas a gente pode sempre voltar e acolher com amor, ser os primeiros a começar. Afinal, se a hostilidade do mundo despertar a nossa, quem vai ser o primeiro a sorrir?"
Textos de Rita Apoena