Ontem à tarde, mais uma vez a fantástica e animada aula de criptografia: aquela em que o professor sempre começa com quinze minutos de atraso, na qual eu despenco de sono, a mesma em que o ministrante constantemente se perde durante explicações...
Finda a aula, juntos aos comuns "elogios" à aula, um colega comenta que estava muita dor de cabeça e que isso quase o fizera bater o carro na vinda para Unicamp. Obviamente insisti para que fôssemos ao CECOM, uma área do HC da Unicamp só para alunos. Como ele fez questão de bandejar antes, chegamos ao CECOM cinco minutos depois de fechar.
A dor de cabeça piorou e fomos ao Pronto-Socorro do HC tentar atendimento. Primeiramente, fez-se um cadastro e fomos sentar à espera de atendimento. Pouco tempo depois - para os padrões públicos de atendimento - o colega foi chamado. Pensei que iria embora logo.
Logo em seguida, à minha direito, no corredor, percebi que vinha andando uma senhora de idade que tinha enfaixados o braço esquerdo quase todo e a perna direita (depois soube que havia sofrido uma queda). Não sei se por eu a ter olhado, ela fez questão de pedir licença e "acomodar-se" a meu lado. Vale explicar que não estava em um banco esperando meu amigo, mas em cima de um "banco", um nível, sei lá, muito gelado por sinal, onde estava sentado.
Depois de pedir licença, a senhora deitou-se nesse cimento gelado. A única coisa que pude fazer no momento foi oferecer minha mochila para apoiar a cabeça. Ela perguntou se não tinha nada que pudesse quebrar, mas respondi que não tinha e que o único problema de algo duro seria machucar a cabeça dela. Ela agradeceu e aceitou.
Como já esperava que a iniciativa de uma conversa partisse dela, só esperei até que me perguntasse se eu via televisão; respondi que não, e ela começou a contar sobre o programa da Claudete ("Pra Valer"), de quem ela gosta muito, e também da Cristina (Rocha), cujo programa trata sobre pessoas que buscam ou oferecem coisas e serviços, uma espécie de classificados na TV.
Ela contou que queria ajudar do Programa da Cristina para ver se encontrava alguém que a quisesse ajudar: ela vive numa casa pequena que divide com o filho, nora e duas filhas - são cinco pessoas e pouco espaço. O que ela deseja é encontrar alguém disposto a fazer algumas reformas para aumentar sua casa e acomodar todo mundo lá. Só que só era possível entrar em contato com o programa por e-mail, e ela não tinha nem podia entrar na Internet.
É claro que a história me deixou sem jeito (a quem não deixaria?). O que eu podia fazer a respeito? A única coisa que me veio à mente foi pegar o telefone e entrar em contato com o programa contando sua história e pedindo para que entrassem em contato. Só que, como tem sido uma constante na vida, demorei demais e não disse o que deveria dizer, e veio um enfermeiro simpático que chamou por ela, encaminhando-a para atendimento lá dentro. Dona Dolores foi simpática ao despedir-se, e eu fiquei com mais uma sensação de frustração.
Meu colega só tinha ido lá dentro para uma espécie de triagem - tirar pressão entre outras coisas - para ver se de fato precisava de uma consulta. E esperamos mais ainda. Quando ficamos quase três horas que nem tachos lá, ele disse que se sentia melhor - com certeza a espera fez com que percebesse que sua dor não fosse tão ruim assim.
Hoje, ao que parece, ele se sentiu melhor e nem teve resquícios das dores de cabeça e muscular que o afligiram ontem. E eu com esse peso na consciência...