sábado, 20 de dezembro de 2008

Oi, tudo bem?

O cotidiano "oi, tudo bem?" é tão condicionado - "natural" seria a expressão mais comum, só que se tratarão os termos com precisão - que suas variações - "tudo bom?", "como vai?", "beleza?" etc - suscitam quase sempre as mesmas respostas: "tudo bem, e você?", "bem", um sinal de positivo...

É difícil saber se é mais automática a pergunta ou a resposta, principalmente quando se trata de ambiente de trabalho. Pessoas já chegam estressadas e apressadas e fazem tal pergunta por mero costume, imposição. Se não o fazem, pensam que podem estar parecendo antipática aos olhos alheios. Mesmo que achem que não esteja tudo bem, dizem o contrário para não parecem fracas, serem um peso aos outros, vergonha ou qualquer outro movito parecido.

O mais incrível de tudo é que as pessoas estão confinadas numa prisão etérea imperceptível de rotina na qual os dias se tornam cada vez menos desafiantes, diferentes e divertidos.

Rotina segundo o Houaiss: hábito de fazer algo sempre do mesmo modo, mecanicamente; rotineir.

Se se faz tudo do mesmo modo, qual a diferença de um dia para o outro? Se tudo ao redor muda quase nada, por que se sentir bem num dia e mal no seguinte?

A questão é que os problemas são todos internos, não externos e não se enxerga isso. O egoísmo é uma grande cegueira que não permite enxergar além da subjetividade, ou seja, não se vê além de uma barreira própria dentro da qual estão realmente os problemas. Como ultrapassá-la é uma questão que cada pessoa deve aprender durante sua vida.

Se alguém responder a pergunta mecânica com uma resposta "fora do padrão" - como "tendo ar para respirar, está ótimo" - e inclusive sorrir, perceba-se alguém que superou a barreira ou que está num momento em que vê acima dela.

Para quem se irrita com a pergunta costumeira, algumas dicas de respostas:
- "tirando o que está embaixo, está tudo em cima";
- "tirando o que está feio, está tudo beleza";
- "tirando o errado, está tudo certo";
- "tirando o caos, está tudo em ordem";
- ...