Este é o ano em que, fora casa dos pais e república, o lugar em que mais dormirei, dado este início de ano, em rodoviárias e afins. Após o jogo do São Paulo, só consegui chegar ao Tietê depois que o último ônibus para Campinas já tinha partido.
"Que azar!", poderia pensar alguém, mas daí o problema mudaria de lugar: chegaria a Campinas e dormiria na Rodoviária de lá. É preferível dormir no Tietê (vou criar o guia "Melhores Rodoviárias para se dormir").
Informado de que as passagens começavam a ser vendidas a partir das 4h e que o primeiro ônibus sairia às 4h30min, pensei em como gastar quase três horas de espera. Os primeiros vinte minutos foram dedicados à discussão do jogo com uma senhora do balcão de informações surpreendentemente bem informada sobre o Tricolor não só de coisas recentes como de coisas antigas - citou um pênalti em cima do Palhinha não marcado na final da Libertadores de 94 do qual não me lembro.
Depois da discussão futebolística, o sono começou a pesar e fui buscar algum lugar para (tentar) "dormir". Dei uma volta em busca de algum banco melhor e prestei atenção a como as pessoas "dormem" nos bancos: alguns praticamente sendo contorcionistas, vergando as costas lateralmente e encolhendo-se num espaço exíguo ao mesmo tempo em que seguram seus pertences; outros usam uma espécie de mesa que liga dois blocos de bancos, cujo espaço é maior que um banco comum, e lá se instalam; alguns ficam sentados, coluna reta, mas permitem que o pescoço "despenque" tronco abaixo - isso deve dar um torcicolo ao despertar!
Fiquei com primeira técnica e tentei contorcionismo nos bancos. Pra quê? Quase fiquei entalado no banco e em cima da mochila-travesseiro. Aproveite-me de que os apoios para os braços entre cada banco fossem vazados, permitindo que se passassem as pernas entre eles, ficando deitado ocupando cerca de três bancos, ou seja, passando o corpo em dois apoios. Como o custo /benefício
não seria o ideal - poucas horas de sono em troca de muito esforço, além de possivel bronca de segurança - desisti da idéia e apenas sentei-me no banco, com o sono a tira colo.
Ouvindo o barulho das pessoas que limpavam, no andar de baixo, o corredor das plataformas de embarque, decidi lá descer e procurar um lugar pra dormir e achei(!): os bancos são sustentados por uma estrutura de cimento que faz uma espécie de coluna que as segura por trás (dificil fazer esta explicação) em cima da qual conseguia apoiar totalmente as costas com um inconviente estrutural - era muito estreito, requerendo pouco movimento para não desabar no chão ou ficar preso entre a coluna e os bancos.
Deitado e buscando descansar o que pudesse, constantemente era acionado pelo barulho das máquinas do pessoal de limpeza ou por suas conversas altas. Levanto um pouco para andar pelo corredor das plataformas e reparo na melhor das técnicas para dormir numa rodoviária: um senhor estava com um colchão dormindo em pleno chão do corredor mais movimentado da cidade em saida de feriado! ("Fantástico!" como diria o outro)
Obviamente tive vontade de conversar com o senhor a respeito, mas não iria interromper seu sono apenas pra isso. O jeito para gastar a última meia hora foi ficar andando a esmo pela rodoviária.
Depois foi fazer o trivial: pegar ônibus até Campinas, ônibus até em casa, banho, ônibus de volta pro trabalho, sono a tarde inteira, aula à noite.