Antes de o jogo começar, o técnico do Alianza disse duas coisas que me chamaram a atenção: a primeira, bastante divulgada pela imprensa, a respeito de o time atual do São Paulo ter menos força que as formações de 2005/6; neste ponto, até concordo com ele, pois saida de jogadores como Lugano e Mineiro não deixam incólume qualquer time do futebol mundial, sobretudo no Brasil. A segunda declaração foi sobre o temor da chuva - "por que eles temeriam chuva?", perguntariam; na cidade de Lima, parece que não chove há anos (14, segundo o técnico), e os jogadores não estão acostumados ao campo encharcado, pesado, bola escorregadia etc.
Fato é que não choveu, tendo a noite de quarta um céu aberto e de Lua quase cheia, "conseqüência" de um dia quente em São Paulo, durante o qual pude aproveitar para ver "Little Miss Sunshine" - é um filme bom que seria excelente se as personagens fossem mais exploradas, seus conflitos mais esmiuçados - e doar sangue no HC. Aliás, não se pode deixar de citar a sempre recorrente presença de Murphy: o rotineiro problema na hora de medir a pressão (afinal sempre chego agitado por andar rápido até lá), o teclado que pifou com a primeira entrevistadora e a própria segunda entrevistadora, que estava em treinamento e teve o prazer de ter-me como "cobaia"... e lá se foram muitos minutos e doses da pouca paciência habitual que tenho para perda de tempo... Para compensar, isso doei sangue tão rápido como nunca fizera antes - sim foi cronometrado, mas não será divulgado para não incitar outros "loucos" a fazerem besteiras do tipo.
Depois de doar sangue, até pensei em ir de ônibus ao Shopping Butantã para encontrar a galera, mas ao perceber, relembrar aliás, como estava a situação dos ônibus àquelas horas, fui a pé mesmo: mais menos 45 minutos para descer a Rebouças, Eusébio Matoso e encarar as subidas e descidas da Francisco Morato.
Antes de entrar no estádio, 1,7 litros entre suco de laranja e refrigerantes (você deve beber muito líquido após doar sangue) e o indispensável sanduíche de pernil (nem por isso vale R$ 4,50!). Bucho cheio, vamos apoiar o Tricolor!
O jogo foi meio porre: o São Paulo meio sem vontade, movimentação, chutes de fora da área, e um Alianza Lima satisfeito com os rumos que o jogo tomava. Não precisava ser gênio para saber que o time precisava de um lance de bola parada para fazer o primeiro gol: rebote de escanteio, Souza levanta bola na área que sobra para o zagueiro-artilheiro Alex Silva abrir o placar. Nada como um gol para despertar o time e uma variação tática para melhorar: André Dias virava volante, e o time avançava mais ao campo de ataque, sufocando o Alianza e encurtando seu campo. Mesmo assim, alguns sustos aconteceram, pois o centroavante deles ganhava quase todas as bolas aéreas, fazendo pivô para que o time saísse de trás com alguns bicões; some-se a isso a péssima partida defensiva que Ilsinho fez, sempre permitindo que o adversário ficasse livre às suas costas, enquanto Jadilson, na esquerda, não sofria tanto na marcação contudo não apoiava o ataque, reflexo da marcação sofrida pelo alas.
O jeito era tentar mais movimentações pelo meio, onde havia um buraco entre o meio-campo e a defesa adversária, o qual não era aproveitado pois Hugo não avançava ali, e Leandro saía muito pelos lados do campo, deixando Aloísio sozinho para brigar com os caras - muitas vezes, isso já funcionou, mas não na quarta.
No começo do segundo tempo, o time voltou mais aceso - Burricy deve ter dado uma carcada nos jogadores - e após um gol perdido por Hugo após cruzamento de Leandro da esquerda, ele mesmo completou jogada de Josué e ampliou o placar. Isso já definiu o jogo. Veio depois o temor da rotineira "tirada de pé" que todo time dá nessas circunstâncias. Isso, para minha surpresa, não ocorreu, pois o time aumentou seu ímpeto ofensivo, passou a marcar o adversário em seu campo como não fizera ao longo do primeiro tempo, fazendo do Rogério um mero alongador dentro de campo. Os gols de Alex Silva e Júnior fecharam a conta na medida exata para mostrar a diferença entre os times.
Sorte do técnico do Alianza que este time não tem (ainda) o poder daquele recente que conquistou tudo o que poderia conquistar - falta Copa do Brasil, mas que se f...
O pós-jogo fica para outro post.