Existe uma frase atribuída a Clarice Lispector que diz:
"Ninguém é eu, ninguém é você. Esta é a solidão"
O fato de nunca ter visto a frase em seu contexto dificulta saber o que escritora, caso seja ela mesma a autora, quis dizer.
Tomada em si, a frase é tendenciosamente encarada como algo triste, e isso se baseia no "eterno" sentimento de incompreensão que todo mundo sente ao relação ao mundo e vice-versa - "não entendo o mundo, que também não me entende".
Não o ponto de chegada mas o de partida de tudo é a existência de alguém que compreenda o indivíduo de tal modo que ele sempre se sinta protegido e amparado. Não convém pensar se este mesmo indivíduo terá a mesma capacidade com relação ao outro. E, se nem isso podem, como aspirarem à famosa "junção de almas", o retorno à unidade de uma alma separada antes da vida em duas, as almas-gêmeas?
Se ninguém pode ser o indivíduo além dele próprio, isso implica numa chance intransferível que ele tem: somente ele pode ser ele-próprio!
Óbvio? Desnecessário? Sim e não: sim na medida em que é óbvio por ser simples e não em razão de fugir da compreensão das pessoas que procuram foram o que não veem dentro.
Em resumo: solidão é a chance de ser você mesmo!