Quando se estuda Teoria da Computação, recai-se muito em problemas da Matemática e vice-versa - até por isso existe o curso de Matemática Computacional. Uma das teorias interessantes trata sobre a redução de problemas: caso se tenha um problema A, cuja solução seja desconhecida, e se conhece um problema B com propriedades em comum, sendo possível a redução de uma instância de A para o problema B, utiliza-se a técnica de B para resolver A. Daí se depreende, não claramente a partir da explicação acima, que o problema A é mais complexo que B além de que toda nem toda solução resolve A.
A redução só é possível por meio da modelagem que se aplica ao problema A "transformando-o" em uma instância de B. Exemplo: se o problema A é para multiplicar n números, mas só se sabe como somá-los (problema B), como fazer? Modela-se o problema A como sendo somar repetidas vezes cada par de números, tendo assim o produto dois-a-dois; repete-se o procedimento para cada produto fazendo com que se torne fator de uma nova multiplicação até que se tenha o resultado correto. Computacionalmente isso é possível embora vá levar muito mais tempo, mas a questão de tempo só é levada em conta se você não o tem sobrando :)
Ainda em Computação, estuda-se uma classe de problemas chamada Programação Linear,
que trata de buscar o ótimo para uma dada função linear (função-objetivo) - ótimo é o maior valor, em módulo, que esta função pode assumir (querendo maximizar, é o maior valor, e o contrário para minimzar). Obviamente, para chegar ao ótimo, bastaria colocar os valores máximos nas variáveis e pronto. Vida e Computação não são óbvios (aprenda!). Desse jeito, os maiores valores são infinitos, e o ótimo também. Para controlar isso, existem as chamadas funções de restrição: equações ou inequações que servem como parâmetros aos valores que as variáveis da função-objetivo.
Para que tudo isso?
Nos muitos paralelos que faço relacionando "além-Computação" com Computação, acabo fazendo uma espécie de redução, ou seja, aplico um certo modelamento para tentar encontrar soluções que não sejam respostas prontas para instâncias específicas do Problema Maior, mas subsídios valiosos a seu entendimento.
Um exemplo disso é observar o que muitos consideram o objetivo da vida: serem felizes. Logicamente ser feliz acaba sendo resultado de momentos felizes, e uma função-objetiva aplicável seria maximizar esses momentos. Aí já se começa a entrar em Programação Linear, faltando somente as funções de restrição, o que acaba sendo até fácil de observar, por tratar-se de toda e qualquer coisa, pessoas, circunstância etc... qualquer coisa serve, pois tudo pode potencialmente (olha o plenoasmo!) ser restritivo à felicidade. É evidente que, minimizando-se as restrições, chega-se ao máximo na função objetivo.
"Grande! Isso eu já sabia!", tornaria o Pequeno Gafanhoto (agora com letra maiúscula). Matemática não é um mistério tão impossível quanto alguns pensam, porque mesmo ela, por increça que parível, derivou a partir da observação das coisas simples que aconteciam ao redor do homem, por isso não é surpresa e nem um grande mérito "matematizar" qualquer coisa.
Para escolha que se faz, há, pelo menos, uma renúncia a ser feita - senão não haveria o que escolher. Saber otimizar o valor das escolhas talvez não seja evidente, por não se conhecer a priori os resultados que podem trazer. Outra possibilidade é analisar o problema complementar: reduzir as perdas com as renúncias. Definição de prioridades é uma maneira de fazê-lo - isso equivaleria a atribuir pesos a cada possibilidade, ou seja, os valores dos coeficientes nas funções-objetivo.
Citada a idéia, agora basta que se traga o modelo à luz da realidade a nela o submeta para ver se funciona. Alguém se arrisca?
sexta-feira, 13 de abril de 2007
sábado, 7 de abril de 2007
Sobre milagres....
"Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo", escreveu Guimarães Rosa no conto O Espelho em Primeiras Estórias. Uma frase que expressa a beleza incutida e escondida nas mínimas coisas que passam desapercebidas pela maioria - incluso este que escreve.
"O essencial é saber ver", escreveu Fernando Pessoa por meio de Alberto Caeiro. Ver está além de olhar, mas não de enxergar - não se trata apenas de sinônimos, mas de uma "hierarquia semântica". Saber ver leva a enxergar, e enxergar é essencial.
O que é exatamente saber ver? É não só ter a percepção de que "a coisa" acontece como do que está por "trás da coisa". Isso não se descobre apenas ficando parado e observando o mundo girar, as nuvens passarem no céu, o vento roçar as folhas das árvores... Caeiro ainda acrescenta que " Não basta não ser cego /Para ver as árvores e as flores", isto é, só com nossas capacidades não entenderemos o mundo tal qual é - ou o mais próximos que possamos chegar disso - a menos que nos movamos, esforcemos minimamente neste sentido.
Para Spinoza, a Força - o nome não faz diferença, por isso fica a critério de quem ler - existente em tudo e por que tudo existe está "disponível" a todos, pois é imanente. Apesar de imanente, é necessário o esforço de cada para descobri-la e a ela unir-se.
"E os milagres com isso?", perguntaria o Pequeno Gafanhoto. Com os milagres, o princípio é o mesmo: não adianta simplesmente ficar à espera como se fossem a (única) solução para tudo.
Não acredite em milagres! Faça-os!
"O essencial é saber ver", escreveu Fernando Pessoa por meio de Alberto Caeiro. Ver está além de olhar, mas não de enxergar - não se trata apenas de sinônimos, mas de uma "hierarquia semântica". Saber ver leva a enxergar, e enxergar é essencial.
O que é exatamente saber ver? É não só ter a percepção de que "a coisa" acontece como do que está por "trás da coisa". Isso não se descobre apenas ficando parado e observando o mundo girar, as nuvens passarem no céu, o vento roçar as folhas das árvores... Caeiro ainda acrescenta que " Não basta não ser cego /Para ver as árvores e as flores", isto é, só com nossas capacidades não entenderemos o mundo tal qual é - ou o mais próximos que possamos chegar disso - a menos que nos movamos, esforcemos minimamente neste sentido.
Para Spinoza, a Força - o nome não faz diferença, por isso fica a critério de quem ler - existente em tudo e por que tudo existe está "disponível" a todos, pois é imanente. Apesar de imanente, é necessário o esforço de cada para descobri-la e a ela unir-se.
"E os milagres com isso?", perguntaria o Pequeno Gafanhoto. Com os milagres, o princípio é o mesmo: não adianta simplesmente ficar à espera como se fossem a (única) solução para tudo.
Não acredite em milagres! Faça-os!
domingo, 1 de abril de 2007
Um olhar sobre o mundo...
A Força da Razão
"Hoje eu tenho um dia de descanso, todo pra mim e como eu sempre faço quando posso descansar um pouco, eu fechei-me em casa, em minha cama, que eu adoro, para ler algo. Eu estou lendo o novo livro "A Força da Razão" de Oriana Fallaci. Um livro interessante, um ponto de vista cru e áspero acerca de quem presta atenção à Europa com um olho cuidadoso e crítico. Europa, um continente que apoia a guerra....como a descreve o escritor, um continente que hoje não é mais Europa, mas "Eurábia", como se fosse uma colônia do islã. Eu não quero escrever aquì o que acho dessas considerações, não é minha tarefa empurrar a gente que me suporta para seguir meu julgamento cerca desse assunto, mas fico aqui diante de meu computador, uma vez mais não quero ter medo de testemunhar minha oposição absoluta à guerra. É verdade, este é um julgamento que, talvez, eu não teria que dar, mas não há nada polìtico suportando a paz, ou melhor, como uma mulher deste milênio, nele há um testemunho social e civil. Eu não sei o que você acha sobre o assunto. De algumas pessoas, eu conheço as opiniões pelas cartas e pelos e-mails que vocês me enviaram e que eu tento ler freqüentemente... Certo, gostaria de saber se houver alguém, entre vocês, que lê meus pensamentos e não està de acordo comigo. Gostaria de falar sobre isso, compreender, avaliar... juntos. Como faz um grupo de amigos que se encontra de novo, em casa ou numa praia para conversar sobre mil coisas....de repente vocês se tornam sérios e se começa a falar de atualidades. Sou uma pessoa otimista, que prefere evitar discussões, às vezes por medo mas sobretudo por princípio. (...)
Eu odeio saber que uma pessoa está sofrendo por causa de algumas injustiças mas a coisa que eu odeio mais, é sentir-me impotente naqueles momentos. Eu sinto essa sensação em várias situações, situações importantes e não; de estar ciente que a guerra matou povos e culturas desde sempre, até a discussão entre dois amigos geralmente afeiçoados um pelo outro. Estou pensando em Anisa, uma menina que escreve pra mim de Bagdá que espera agüentar, e estou pensando em Manuela, minha amiga Manuela Pacifico, que se sente agoniada por receber algumas palavras tão pesadas quanto balas. Deveríamos respeitar-nos muito mais, nós deveriamos avaliar antes de agir. O político que decide quem e como golpear um adversàrio, a palavra ofensiva que choca - talvez - uma sensibilidade demasiado frágil de um amigo.
Eu não sou uma santa, eu tambèm cometo erros !! Eu quero apenas ser uma proponente pois eu acho esta é a melhor maneira para crescer. Eu convido vocês a conhecer melhor o que é que acontece no mundo, lendo livros ou prestando atenção a documentários acerca das guerras dos últimos anos sob diversos pontos de vista. Para que vocês se tenham suas próprias opiniões, compreendendo suas maneiras de pensar, porque o julgamento sobre esses assuntos deve ser só e unicamente seu.
Peace,
Laura " (Pausini)
"Hoje eu tenho um dia de descanso, todo pra mim e como eu sempre faço quando posso descansar um pouco, eu fechei-me em casa, em minha cama, que eu adoro, para ler algo. Eu estou lendo o novo livro "A Força da Razão" de Oriana Fallaci. Um livro interessante, um ponto de vista cru e áspero acerca de quem presta atenção à Europa com um olho cuidadoso e crítico. Europa, um continente que apoia a guerra....como a descreve o escritor, um continente que hoje não é mais Europa, mas "Eurábia", como se fosse uma colônia do islã. Eu não quero escrever aquì o que acho dessas considerações, não é minha tarefa empurrar a gente que me suporta para seguir meu julgamento cerca desse assunto, mas fico aqui diante de meu computador, uma vez mais não quero ter medo de testemunhar minha oposição absoluta à guerra. É verdade, este é um julgamento que, talvez, eu não teria que dar, mas não há nada polìtico suportando a paz, ou melhor, como uma mulher deste milênio, nele há um testemunho social e civil. Eu não sei o que você acha sobre o assunto. De algumas pessoas, eu conheço as opiniões pelas cartas e pelos e-mails que vocês me enviaram e que eu tento ler freqüentemente... Certo, gostaria de saber se houver alguém, entre vocês, que lê meus pensamentos e não està de acordo comigo. Gostaria de falar sobre isso, compreender, avaliar... juntos. Como faz um grupo de amigos que se encontra de novo, em casa ou numa praia para conversar sobre mil coisas....de repente vocês se tornam sérios e se começa a falar de atualidades. Sou uma pessoa otimista, que prefere evitar discussões, às vezes por medo mas sobretudo por princípio. (...)
Eu odeio saber que uma pessoa está sofrendo por causa de algumas injustiças mas a coisa que eu odeio mais, é sentir-me impotente naqueles momentos. Eu sinto essa sensação em várias situações, situações importantes e não; de estar ciente que a guerra matou povos e culturas desde sempre, até a discussão entre dois amigos geralmente afeiçoados um pelo outro. Estou pensando em Anisa, uma menina que escreve pra mim de Bagdá que espera agüentar, e estou pensando em Manuela, minha amiga Manuela Pacifico, que se sente agoniada por receber algumas palavras tão pesadas quanto balas. Deveríamos respeitar-nos muito mais, nós deveriamos avaliar antes de agir. O político que decide quem e como golpear um adversàrio, a palavra ofensiva que choca - talvez - uma sensibilidade demasiado frágil de um amigo.
Eu não sou uma santa, eu tambèm cometo erros !! Eu quero apenas ser uma proponente pois eu acho esta é a melhor maneira para crescer. Eu convido vocês a conhecer melhor o que é que acontece no mundo, lendo livros ou prestando atenção a documentários acerca das guerras dos últimos anos sob diversos pontos de vista. Para que vocês se tenham suas próprias opiniões, compreendendo suas maneiras de pensar, porque o julgamento sobre esses assuntos deve ser só e unicamente seu.
Peace,
Laura " (Pausini)
segunda-feira, 26 de março de 2007
A arte de criar espaços...
Em uma discussão que tem uns sete anos, fui convencido - ainda não achei um contra-argumento - de que o homem nada cria, somente inventa. No Houaiss, define-se criar como:
"
Datação
1001 cf. JM3
Acepções
■ verbo
transitivo direto
1 conceber, tirar aparentemente do nada, dar existência a
Ex.: segundo o Gênese, Deus criou o homem e depois a mulher
transitivo direto
2 formar, gerar, dar origem a
Ex.: segundo alguns cientistas, uma grande explosão criou o universo
transitivo direto
3 imaginar, inventar, produzir (algo ger. original, novo)
Ex.: só Mário de Andrade podia c. um personagem como Macunaíma
transitivo direto
4 inventar, elaborar (alguma coisa, ger. de cunho científico, utilitário)
Ex.:
transitivo direto
5 fundar (alguma coisa); instituir, estabelecer
Ex.:
transitivo direto
6 adquirir (algo) que anteriormente não se possuía, passar a ter (alguma coisa) como resultado de esforço próprio ou por puro acaso
Ex.:
bitransitivo
7 causar, originar
Ex.:
bitransitivo
8 deixar-se tomar por (determinado sentimento); passar a manifestar
Ex.:
bitransitivo
9 alimentar ao seio; amamentar
Ex.: criou-os no peito
transitivo direto
10 Derivação: por extensão de sentido.
sustentar, alimentar
Ex.:
bitransitivo e pronominal
11 Derivação: por extensão de sentido.
promover a educação de; educar, instruir
Ex.:
transitivo direto predicativo e pronominal
12 educar(-se) sob certas condições
Ex.:
bitransitivo e pronominal
13 crescer em convívio com (alguém ou algo)
Ex.:
transitivo direto predicativo
14 promover (alguém) a; nomear, tornar
Ex.: o conde criara-o cavaleiro
pronominal
15 nascer, originar-se
Ex.: a oliva cria-se abundantemente naquela região
pronominal
16 crescer, desenvolver-se em (determinado lugar)
Ex.: criou-se na favela
transitivo direto
17 cultivar (plantas)
Ex.: tentou c. tulipas em Teresópolis
intransitivo
18 tomar-se de pus (um ferimento)
transitivo direto
19 Rubrica: zootecnia.
manter procriação de (animais) para sustento da família, com fins lucrativos ou ainda por gosto
Ex.:
transitivo direto
19.1 Rubrica: zootecnia.
desenvolver a pecuária como atividade econômica
Ex.: em suas fazendas, só criava gado
Etimologia
lat. creo,as,ávi,creátum,creáre 'produzir, fazer brotar, fazer aumentar, fazer crescer, criar'; ver cria-; f.hist. 1001 criarmus, sXIII criar, sXIII crijar, sXIV cryar
Sinônimos
ver sinonímia de causar, engendrar, nutrir, organizar e produzir
Antônimos
destruir, desnutrir; ver tb. antonímia de organizar"
Depois desta verborragia, vale dizer que a discussão tomou por apenas apenas os aspectos dos itens 1 e 2, ou seja, criar no sentido de tirar algo do nada, algo extremamente ilógico a quase todos que ouçam isso. Então nada pode ser criado? Lavoisier corrobora com a famosa "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Depois deste fim de semana, chegou a hora de colocar em prática uma das resoluções de "Ano Novo" e, para isso, precisarei criar - sim, criar... não... a palavra talvez não expresse a realidade - ela tem esse poder?
Chegou a hora de criar espaço, aumentar distância. Criar espaço pode ser uma forma de (auto-)isolar, (auto-)afastar, até mesmo (auto)punir. Mas criar espaço pode ser um modo de oferecer espaço para crescer, desenvolver, aprofundar raízes. Aliás, as plantas são o exemplo: se a planta cresce demais, troca-se-lhe o vaso, dando mais espaço ao crescimento. É com esta intenção que criarei alguns espaços a partir de agora.
Talvez eu não esteja de fato criando espaço; talvez a palavra que se encaixa seja inventar. Mas "inventar espaço" é algo que não me entra na cabeça - pouca coisa entra mesmo. Ficarei mesmo com o "criar" e com espaço.
"
Datação
1001 cf. JM3
Acepções
■ verbo
transitivo direto
1 conceber, tirar aparentemente do nada, dar existência a
Ex.: segundo o Gênese, Deus criou o homem e depois a mulher
transitivo direto
2 formar, gerar, dar origem a
Ex.: segundo alguns cientistas, uma grande explosão criou o universo
transitivo direto
3 imaginar, inventar, produzir (algo ger. original, novo)
Ex.: só Mário de Andrade podia c. um personagem como Macunaíma
transitivo direto
4 inventar, elaborar (alguma coisa, ger. de cunho científico, utilitário)
Ex.:
transitivo direto
5 fundar (alguma coisa); instituir, estabelecer
Ex.:
transitivo direto
6 adquirir (algo) que anteriormente não se possuía, passar a ter (alguma coisa) como resultado de esforço próprio ou por puro acaso
Ex.:
bitransitivo
7 causar, originar
Ex.:
bitransitivo
8 deixar-se tomar por (determinado sentimento); passar a manifestar
Ex.:
bitransitivo
9 alimentar ao seio; amamentar
Ex.: criou-os no peito
transitivo direto
10 Derivação: por extensão de sentido.
sustentar, alimentar
Ex.:
bitransitivo e pronominal
11 Derivação: por extensão de sentido.
promover a educação de; educar, instruir
Ex.:
transitivo direto predicativo e pronominal
12 educar(-se) sob certas condições
Ex.:
bitransitivo e pronominal
13 crescer em convívio com (alguém ou algo)
Ex.:
transitivo direto predicativo
14 promover (alguém) a; nomear, tornar
Ex.: o conde criara-o cavaleiro
pronominal
15 nascer, originar-se
Ex.: a oliva cria-se abundantemente naquela região
pronominal
16 crescer, desenvolver-se em (determinado lugar)
Ex.: criou-se na favela
transitivo direto
17 cultivar (plantas)
Ex.: tentou c. tulipas em Teresópolis
intransitivo
18 tomar-se de pus (um ferimento)
transitivo direto
19 Rubrica: zootecnia.
manter procriação de (animais) para sustento da família, com fins lucrativos ou ainda por gosto
Ex.:
transitivo direto
19.1 Rubrica: zootecnia.
desenvolver a pecuária como atividade econômica
Ex.: em suas fazendas, só criava gado
Etimologia
lat. creo,as,ávi,creátum,creáre 'produzir, fazer brotar, fazer aumentar, fazer crescer, criar'; ver cria-; f.hist. 1001 criarmus, sXIII criar, sXIII crijar, sXIV cryar
Sinônimos
ver sinonímia de causar, engendrar, nutrir, organizar e produzir
Antônimos
destruir, desnutrir; ver tb. antonímia de organizar"
Depois desta verborragia, vale dizer que a discussão tomou por apenas apenas os aspectos dos itens 1 e 2, ou seja, criar no sentido de tirar algo do nada, algo extremamente ilógico a quase todos que ouçam isso. Então nada pode ser criado? Lavoisier corrobora com a famosa "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
Depois deste fim de semana, chegou a hora de colocar em prática uma das resoluções de "Ano Novo" e, para isso, precisarei criar - sim, criar... não... a palavra talvez não expresse a realidade - ela tem esse poder?
Chegou a hora de criar espaço, aumentar distância. Criar espaço pode ser uma forma de (auto-)isolar, (auto-)afastar, até mesmo (auto)punir. Mas criar espaço pode ser um modo de oferecer espaço para crescer, desenvolver, aprofundar raízes. Aliás, as plantas são o exemplo: se a planta cresce demais, troca-se-lhe o vaso, dando mais espaço ao crescimento. É com esta intenção que criarei alguns espaços a partir de agora.
Talvez eu não esteja de fato criando espaço; talvez a palavra que se encaixa seja inventar. Mas "inventar espaço" é algo que não me entra na cabeça - pouca coisa entra mesmo. Ficarei mesmo com o "criar" e com espaço.
sexta-feira, 23 de março de 2007
"I know not what tomorrow will bring"
As últimas palavras de Fernando Pessoa refletem literalmente e exatamente o desconhecimento sobre amanhã, justamente amanhã. Sei o quê vai acontecer, mas não sei como - aliás é isso que incomoda mais a todos.
O certo é que continuarei caminhando debaixo do mesmo sol, mesmo quando não o vir, todos os dias. Farei isso mesmo que as pernas não permitam ou que não haja motivos para fazê-lo, porque não é preciso ver o sol para caminhar debaixo dele, nem ter esperança para seguir adiante - há algo além, "algo dentro de nós que não tem nome, e é isso o que somos", segundo Saramago.
Mesmo assim o amanhã urge em mim como o sol que surge no início de cada dia...
O certo é que continuarei caminhando debaixo do mesmo sol, mesmo quando não o vir, todos os dias. Farei isso mesmo que as pernas não permitam ou que não haja motivos para fazê-lo, porque não é preciso ver o sol para caminhar debaixo dele, nem ter esperança para seguir adiante - há algo além, "algo dentro de nós que não tem nome, e é isso o que somos", segundo Saramago.
Mesmo assim o amanhã urge em mim como o sol que surge no início de cada dia...
terça-feira, 20 de março de 2007
Outono que o vento traz...
"Caem as folhas secas no chão irregularmente,
Mas o fato é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
há só um caminho para a vida, que é a vida..."
Álvaro de Campos, in A Passagem das Horas
Mas o fato é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
há só um caminho para a vida, que é a vida..."
Álvaro de Campos, in A Passagem das Horas
sábado, 3 de março de 2007
E no Tietê...
Este é o ano em que, fora casa dos pais e república, o lugar em que mais dormirei, dado este início de ano, em rodoviárias e afins. Após o jogo do São Paulo, só consegui chegar ao Tietê depois que o último ônibus para Campinas já tinha partido.
"Que azar!", poderia pensar alguém, mas daí o problema mudaria de lugar: chegaria a Campinas e dormiria na Rodoviária de lá. É preferível dormir no Tietê (vou criar o guia "Melhores Rodoviárias para se dormir").
Informado de que as passagens começavam a ser vendidas a partir das 4h e que o primeiro ônibus sairia às 4h30min, pensei em como gastar quase três horas de espera. Os primeiros vinte minutos foram dedicados à discussão do jogo com uma senhora do balcão de informações surpreendentemente bem informada sobre o Tricolor não só de coisas recentes como de coisas antigas - citou um pênalti em cima do Palhinha não marcado na final da Libertadores de 94 do qual não me lembro.
Depois da discussão futebolística, o sono começou a pesar e fui buscar algum lugar para (tentar) "dormir". Dei uma volta em busca de algum banco melhor e prestei atenção a como as pessoas "dormem" nos bancos: alguns praticamente sendo contorcionistas, vergando as costas lateralmente e encolhendo-se num espaço exíguo ao mesmo tempo em que seguram seus pertences; outros usam uma espécie de mesa que liga dois blocos de bancos, cujo espaço é maior que um banco comum, e lá se instalam; alguns ficam sentados, coluna reta, mas permitem que o pescoço "despenque" tronco abaixo - isso deve dar um torcicolo ao despertar!
Fiquei com primeira técnica e tentei contorcionismo nos bancos. Pra quê? Quase fiquei entalado no banco e em cima da mochila-travesseiro. Aproveite-me de que os apoios para os braços entre cada banco fossem vazados, permitindo que se passassem as pernas entre eles, ficando deitado ocupando cerca de três bancos, ou seja, passando o corpo em dois apoios. Como o custo /benefício
não seria o ideal - poucas horas de sono em troca de muito esforço, além de possivel bronca de segurança - desisti da idéia e apenas sentei-me no banco, com o sono a tira colo.
Ouvindo o barulho das pessoas que limpavam, no andar de baixo, o corredor das plataformas de embarque, decidi lá descer e procurar um lugar pra dormir e achei(!): os bancos são sustentados por uma estrutura de cimento que faz uma espécie de coluna que as segura por trás (dificil fazer esta explicação) em cima da qual conseguia apoiar totalmente as costas com um inconviente estrutural - era muito estreito, requerendo pouco movimento para não desabar no chão ou ficar preso entre a coluna e os bancos.
Deitado e buscando descansar o que pudesse, constantemente era acionado pelo barulho das máquinas do pessoal de limpeza ou por suas conversas altas. Levanto um pouco para andar pelo corredor das plataformas e reparo na melhor das técnicas para dormir numa rodoviária: um senhor estava com um colchão dormindo em pleno chão do corredor mais movimentado da cidade em saida de feriado! ("Fantástico!" como diria o outro)
Obviamente tive vontade de conversar com o senhor a respeito, mas não iria interromper seu sono apenas pra isso. O jeito para gastar a última meia hora foi ficar andando a esmo pela rodoviária.
Depois foi fazer o trivial: pegar ônibus até Campinas, ônibus até em casa, banho, ônibus de volta pro trabalho, sono a tarde inteira, aula à noite.
"Que azar!", poderia pensar alguém, mas daí o problema mudaria de lugar: chegaria a Campinas e dormiria na Rodoviária de lá. É preferível dormir no Tietê (vou criar o guia "Melhores Rodoviárias para se dormir").
Informado de que as passagens começavam a ser vendidas a partir das 4h e que o primeiro ônibus sairia às 4h30min, pensei em como gastar quase três horas de espera. Os primeiros vinte minutos foram dedicados à discussão do jogo com uma senhora do balcão de informações surpreendentemente bem informada sobre o Tricolor não só de coisas recentes como de coisas antigas - citou um pênalti em cima do Palhinha não marcado na final da Libertadores de 94 do qual não me lembro.
Depois da discussão futebolística, o sono começou a pesar e fui buscar algum lugar para (tentar) "dormir". Dei uma volta em busca de algum banco melhor e prestei atenção a como as pessoas "dormem" nos bancos: alguns praticamente sendo contorcionistas, vergando as costas lateralmente e encolhendo-se num espaço exíguo ao mesmo tempo em que seguram seus pertences; outros usam uma espécie de mesa que liga dois blocos de bancos, cujo espaço é maior que um banco comum, e lá se instalam; alguns ficam sentados, coluna reta, mas permitem que o pescoço "despenque" tronco abaixo - isso deve dar um torcicolo ao despertar!
Fiquei com primeira técnica e tentei contorcionismo nos bancos. Pra quê? Quase fiquei entalado no banco e em cima da mochila-travesseiro. Aproveite-me de que os apoios para os braços entre cada banco fossem vazados, permitindo que se passassem as pernas entre eles, ficando deitado ocupando cerca de três bancos, ou seja, passando o corpo em dois apoios. Como o custo /benefício
não seria o ideal - poucas horas de sono em troca de muito esforço, além de possivel bronca de segurança - desisti da idéia e apenas sentei-me no banco, com o sono a tira colo.
Ouvindo o barulho das pessoas que limpavam, no andar de baixo, o corredor das plataformas de embarque, decidi lá descer e procurar um lugar pra dormir e achei(!): os bancos são sustentados por uma estrutura de cimento que faz uma espécie de coluna que as segura por trás (dificil fazer esta explicação) em cima da qual conseguia apoiar totalmente as costas com um inconviente estrutural - era muito estreito, requerendo pouco movimento para não desabar no chão ou ficar preso entre a coluna e os bancos.
Deitado e buscando descansar o que pudesse, constantemente era acionado pelo barulho das máquinas do pessoal de limpeza ou por suas conversas altas. Levanto um pouco para andar pelo corredor das plataformas e reparo na melhor das técnicas para dormir numa rodoviária: um senhor estava com um colchão dormindo em pleno chão do corredor mais movimentado da cidade em saida de feriado! ("Fantástico!" como diria o outro)
Obviamente tive vontade de conversar com o senhor a respeito, mas não iria interromper seu sono apenas pra isso. O jeito para gastar a última meia hora foi ficar andando a esmo pela rodoviária.
Depois foi fazer o trivial: pegar ônibus até Campinas, ônibus até em casa, banho, ônibus de volta pro trabalho, sono a tarde inteira, aula à noite.
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