segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Inquietações

Praticamente nada se iguala a uma noite de chuva e trovões para escrever.... seus sons rasgam os céus e abrem espíritos encontrando reverberação nas inquietações aflitivas que recaem sobre todos e normalmente são ignoradas ou suprimidas, convenientemente ou não, por cada um...

Tais inquietações advêm de alguma inconformidade entre o ser e o mundo ou entre o status quo e o que se imagina que devesse ser. (Em Spinoza, tinha-se que a verdade era a harmonia entre o ser e a realidade. Será que existem inquietações em quem age verdadeiramente?)Muitas dessas inquietações têm motivações externas, pois recai sobre o indivíduo a responsabilidade de não estar - por precisão, usa-se em lugar de "ser" - à altura do que as convenções cobram-lhe.

É lógico e sábido que sempre é o próprio indivíduo quem se cobra, porém tal cobrança, por sua vez, pode ter origens externas e sem qualquer nexo com o "eu". Novamente o primeiro e mais complicado primeiro passo recai na percepção da situação: o quanto é uma autocobrança e quanto é pressão por coisas impostas pela sociedade. É tremandamente dificílimo - tem-se aqui uma hipérbole? - que isso se autoperceba; faz-se necessária a benemérita ajuda de um outro eu "caridoso" para tal.

Uma das inquietações que mais rondam as pessoas em qualquer tempo é sobre seus objetivos de vida: é imprescindível que sempre se tenham metas a atingir e planos de como conquistá-las, senão é-se um "à-toa, um fracassado". E quem tem a coragem de levantar o olhar com brio quando for chamado assim ou de coisa pior?

Entretanto o afã por descobrir, conseguir, realizar um objetivo traz a cegueira inerente e inevitável da situação: somente alcançar o objetivo, o prêmio vale. É necessário ter em mente o que a conquista de um objetivo trará para si, senão as conquistas serão vazias. "De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma?", questionou Blaise Pascal.

Deve-se começar primeiramente tornando-se algo em-si, buscar o auto-aprimoramento, evolução. Como alcançar objetivos maiores se não se cresce? É inevitável que se comece por si próprio na odisséia univérsica, pois somente o indivíduo pode ser um porto seguro de partida e chegada para si mesmo. Perigoso também é esse caminho - todos têm o seu - visto que somente ter o foco no autocrescimento implicará em auto-suficência, soberba, egoísmo etc., fatos totalmente observados e, infelizmente, facilmente encontráveis por aí.

O começar dessa jornada é sempre o mais complicado - como em toda jornada. Primeiro vêm as inquientações, a sensação de estar-se perdido no mundo, não sabendo seu lugar, aonde chegar, que caminho tomar... Deve-se ter a coragem - etimologicamente agir com o coração - de questionar as principais certezas e pô-las à prova; indagar cada uma vez à semelhança de como Sócrates fazia aos transeuntes do mercado em Atenas. Trata-se de algo perigosísssimo pois pode implicar na ruína de muitos valores e crenças importantes - mas falsos e, por isso, descartáveis. A dúvida não é a negação da crença, existência de algo: pode funcionar como um fortalecimento das mesmas se forem verdadeiras. Submeter-se todas as crenças - e isso vai além do plano religioso - e valores a questionamentos é reconhecer-se falho e buscar aprimoramento.

Com a "conquista" de si próprio, pode-se partir em busca do mundo, que, no fundo, também é a "reconquista" de si: são dois universos com infinitas possibilidades que se cruzam...

(continua algum dia no futuro ou passado)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Oi, tudo bem?

O cotidiano "oi, tudo bem?" é tão condicionado - "natural" seria a expressão mais comum, só que se tratarão os termos com precisão - que suas variações - "tudo bom?", "como vai?", "beleza?" etc - suscitam quase sempre as mesmas respostas: "tudo bem, e você?", "bem", um sinal de positivo...

É difícil saber se é mais automática a pergunta ou a resposta, principalmente quando se trata de ambiente de trabalho. Pessoas já chegam estressadas e apressadas e fazem tal pergunta por mero costume, imposição. Se não o fazem, pensam que podem estar parecendo antipática aos olhos alheios. Mesmo que achem que não esteja tudo bem, dizem o contrário para não parecem fracas, serem um peso aos outros, vergonha ou qualquer outro movito parecido.

O mais incrível de tudo é que as pessoas estão confinadas numa prisão etérea imperceptível de rotina na qual os dias se tornam cada vez menos desafiantes, diferentes e divertidos.

Rotina segundo o Houaiss: hábito de fazer algo sempre do mesmo modo, mecanicamente; rotineir.

Se se faz tudo do mesmo modo, qual a diferença de um dia para o outro? Se tudo ao redor muda quase nada, por que se sentir bem num dia e mal no seguinte?

A questão é que os problemas são todos internos, não externos e não se enxerga isso. O egoísmo é uma grande cegueira que não permite enxergar além da subjetividade, ou seja, não se vê além de uma barreira própria dentro da qual estão realmente os problemas. Como ultrapassá-la é uma questão que cada pessoa deve aprender durante sua vida.

Se alguém responder a pergunta mecânica com uma resposta "fora do padrão" - como "tendo ar para respirar, está ótimo" - e inclusive sorrir, perceba-se alguém que superou a barreira ou que está num momento em que vê acima dela.

Para quem se irrita com a pergunta costumeira, algumas dicas de respostas:
- "tirando o que está embaixo, está tudo em cima";
- "tirando o que está feio, está tudo beleza";
- "tirando o errado, está tudo certo";
- "tirando o caos, está tudo em ordem";
- ...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As três formas de mudar

Tal como a ave que segue o sol,
Fazendo dele seu destino,
Sigo-a em toda parte
E eu mudo...

Tal como a sombra da árvore
Que o sol molda pelo dia,
Assim me transforma ela
E eu mudo...

Tal como o olhar fita o ocaso
Silencia o observador,
Assim ela a mim cala
E eu mudo...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A revelação de uma fotografia

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aniversário...

Mais um ano de sepultamento dela...
Ainda florescerá...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Crônicas de Somos Paulo



Dessa vez, o caroço foi longe. Caroços caem como bailarinos não sabem. Devo ser a mãe de muitas árvores, pois o infinito acontece quando eu me retiro. Então, quando a feira acabar, seguirei os meus passos de pés gigantescos até me esquecer, para sempre, desse caroço caído no chão. Vou me sentar em frente àquela janela e recomeçar o meu trabalho, sem sequer me lembrar que a terra continuará o dela. Seguirei a minha vida como se não fosse a culpada por tantas árvores de maçã. Passarei por elas como se sempre estivessem ali, talvez, eu pisando e esmagando os brotos de outrém. Para mim, é apenas a fotografia de um caroço jogado na terra, vista por um gigante velho, de vestido roto. Mas se brotar, Gulliver, se brotar, serei apenas um tronco, envelhecido e ingrato, descansando no meio da sombra. Eu gosto de andar pelas ruas de Santo André e pelas ruas de são tão lindas. Eu gosto das cidades em terceira pessoa do plural, mas vou me mudar para a cidade de Somos Paulo, onde todos têm o mesmo nome e todos se dizem bom dia. O menino veste uma calça comprida, um olhar esmurrado e traz uma maldade no peito, como um broche de flores feridas e pétalas não cicatrizadas. Disse o pingüim dessa casa que o medo guardado fora da geladeira apodrecia em maldade de medo. Essa é a que se espalha pelo seu corpo, sem que você perceba, e faz com que se afaste de outras pessoas. Longe, não consegue entender o motivo delas. E nem elas, o seu. Mas o seu coração continua numa bondade que ninguém mais entende e, então, chamam aquilo de maldade. Assim era o menino, tentando ser bom, a sua maneira. Agora há pouco, por exemplo, ficou parado no meio da rua, olhando o cachorro pulguento. Os olhos fundos daquele cachorro, que sabia enxergar o fundo da gente. O menino quis voltar para casa. O cachorro foi atrás. O menino parou. O cachorro parou, sentou-se e inclinou a cabeça. O menino voltou a andar. O cachorro acompanhou. Quando o menino virou para trás, chutou a cara do cachorro, para que não esperasse o amor que ele podia dar. E, mesmo assim, o menino tem olhos de esperanças. As pessoas más são as que mais têm esperanças no mundo. Só quem reconhece a própria maldade sabe que, no escuro da noite, um travesseiro é incapaz de abraçar. Quando o menino cresceu e apanhou do ladrão, apanhou e apanhou, ergueu os olhos machucados e disse: agora você pode me matar, agora você pode chutar a minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino abraçado às pernas da sua mãe. O ladrão engoliu dois goles de raiva e saudade, talvez de um tempo que não era oco de mãe, talvez dos sonhos de futebol, ele agora um homem chutando as pedras, sozinho no gramado, a mãe com vergonha dele. E só agora, olhando a maldade lá fora, eu enxergo o meu rosto refletido no vidro. O ladrão não está sozinho. O menino não está sozinho. Paulo não está sozinho. A noite é uma coreografia de condenados, dançando e rolando na cama, com o travesseiro incapaz de abraço. Então, a maldade é isso? A maldade é esse que chora, sozinho, a sua mão cheia de espinhos? Se a maldade for isso, se for esse desamparo e essa solidão, esse medo que. O ladrão acerta o seu primeiro golpe. O soco desliza sobre a boca de Paulo, em câmera lenta, enquanto gotas de sangue flutuam no ar. Os antebraços tentam forjar as verdades, na frente do rosto, mas o ladrão atinge o estômago. O corpo de Paulo encurva-se para a frente, abraçando o vazio de um desamparo. Paulo ergue os olhos machucados e diz: agora você pode me matar, agora você pode chutar a minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino, abraçado às pernas da sua mãe. O ladrão engole dois goles de raiva e saudade, talvez de um tempo que não era oco de mãe, talvez dos sonhos de futebol, ele agora um homem chutando as pedras, sozinho no gramado, a mãe com vergonha dele. E só agora, olhando a maldade lá fora, eu enxergo o meu rosto refletido no vidro. O ladrão não está sozinho. O menino não está sozinho. Paulo não está sozinho. No meio da rua, Paulo e os violentos, Paulo e os condenados. Paulo e os ignorantes de amor. Todos no chão, encolhidos e ajoelhados, como sementes de pedra daninha, incapazes de brotar. Ao lado de fora, uma árvore cresceu para cima enquanto uma rua se deitou. Há uma página de um livro sendo pisada no meio da calçada, enquanto o jornal tenta voar, pendurando-se no vento. O jornal pousa em triângulo sobre a terra, do mesmo jeito que Paulo tenta levantar o corpo, esmurrado pelo ladrão. Depois de um dia inteiro enrolando bananas na feira, é claro que o jornal acreditaria no mendigo, dizendo que o asfalto é só uma noite dura e sem estrelas. O dia dormindo em trapos remendados de sol, enquanto a noite faminta arranca os sonhos com as mãos. Mais outro dia derreado pela noite e aquele homem quem será. Aquele, que um dia foi menino a dormir no ventre da mãe e hoje é mendigo, a dormir curvado do frio, na posição do feto que um dia foi. E, agora, tão encolhido que o vento não haveria de encontrá-lo ali. Era só fingir-se de morto, porque os mortos, sem ao menos respirar, enganam o frio, o vento e a fome. As bananas da feira sendo enroladas pelas histórias de Paulo. Um cachorro expulsando pulgas sobre as histórias de Paulo. O estômago do mendigo gargalhando sob as histórias de Paulo. O ladrão limpando o cocô do sapato sobre as histórias de Paulo. E eu acariciando o jornal. O menino levanta um aviãozinho porque não sabe que o ódio explode em bombas, chamas de fogo num vermelho voar. Como os pássaros vão entender? Como os pássaros vão suportar voar outra vez? O caraço no meio da feira não viu a flor sufocada nas pedras. E a flor não sabe que da terra também o ódio se explode em campos minados, onde menos se espera, onde menos se pisa. Como as sementes vão entender? Como as sementes vão suportar brotar outra vez? O soldado pegou a arma lentamente. Segurou-a entre as mãos e abriu os olhos, na esperança de que fosse um girassol. Mas sementes ao reverso plantavam a morte no peito do outro e, por isso, ele calou. O inimigo caiu no chão e levantou a mão com os dedos abertos. Um pedaço de braço tentando brotar do chão estéril e murchando em seguida, com os últimos raios de vida. Eles, completamente estranhos, já eram inimigos. O girassol apontado para o céu. Da boca. E foi então que dois meninos, de cabelos reluzentes, entraram correndo pelos campos concentrados de flores. Duas armas de plástico, compradas na feira, explodiam em tiros ao som da bochecha e eles se arrastavam pelo chão. Escondido atrás da barraca de peixes estendidos, o menino pegou a arma lentamente. Segurou-a entre as mãos e abriu os olhos, na esperança de que fosse de verdade. Mas era. Agora você pode me matar, disse o menino crescido, agora você pode atirar na minha cara, mas uma coisa eu sei, eu sei que você não era assim, eu sei que você era só um menino, abraçado às pernas da sua mãe. A mãe com os olhos de fúria, com as mãos na garganta do menino. Pétalas enfeitando o seu cabelo, pétalas caindo por toda parte, até que a mãe precise de suas mãos para costurar a manta que vai aquecer o menino. Ela cobre o menino até o pescoço e beija a sua face, acaricia a sua barriga esperando o menino chegar. Sua mãe como um anjo brilhando entre as pétalas que curam o pescoço ferido do menino. O menino tira as mãos da mãe do seu pescoço. Eles precisam juntos brincar de passa-anel, rindo até a brincadeira acabar. Quando a brincadeira acaba, a mãe aperta mais um pouco o pescoço dele, aperta, aperta, até que aperte tão forte que os braços fiquem com vontade de abraçar e, assim, a mãe pára de enforcar o menino porque os seus braços abraçam. Um abraço tão bom que o menino nem se lembra mais das mãos em seu pescoço. Ele, que nasceu direto do coração da sua mãe, agora jaz sobre a terra, em companhia de um caroço de maçã. Essa é a cidade de Somos Paulo, onde todos têm o mesmo nome e todos se dizem bom dia.

Por Rita Apoena

domingo, 12 de outubro de 2008

O futuro no dia das crianças

Texto publicado hoje na Folha de São Paulo


US$ 700 bilhões contra a pobreza

ODED GRAJEW


Que "caia a ficha": não há ausência de idéias ou de recursos para acabar com as mazelas sociais. O que falta é vontade política

O GOVERNO norte-americano solicitou e obteve, em regime de urgência, autorização do Congresso para usar US$ 700 bilhões a fim de salvar o sistema financeiro.
Essa montanha de dinheiro estava disponível, da mesma forma como está disponível o montante de dólares -aproximadamente US$ 1 trilhão- investido anualmente pelos países em armas e operações militares.
Ao mesmo tempo, dois bilhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no mundo. A ONU estima que aproximadamente US$ 150 bilhões anuais seriam necessários para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Estabelecidos em 2000, prevêem para 2015 acabar com a fome e reduzir drasticamente a pobreza, as mazelas sociais e a degradação ambiental. Nem a metade dos recursos necessários foi até agora arrecadada. Conseqüentemente, prevê-se que as metas não serão atingidas.
Para todos os que se preocupam com as questões sociais e ambientais, é fundamental que "caia a ficha". Não há carência de idéias nem ausência de recursos para acabar com as mazelas sociais e proporcionar uma vida digna a todos os habitantes do planeta e assegurar o desenvolvimento sustentável às futuras gerações. O problema é a falta de vontade política da maioria dos governantes.
Tenho confirmado em inúmeras ocasiões essa constatação. A título de ilustração, posso citar dois acontecimentos que presenciei.
O primeiro deles ocorreu em 2005 por ocasião da Assembléia Geral da ONU. Cento e vinte chefes de Estado e representantes governamentais se reuniram para avaliar o andamento dos ODM, bem abaixo da expectativa.
Todos os governantes que falaram foram surpreendentemente francos, fizeram uma autocrítica e reconheceram unanimemente que o problema não é falta de recursos nem de idéias, mas apenas falta de vontade política.
A segunda ocasião também foi na ONU, num encontro de representantes da sociedade civil com Michel Camdessus, diretor-geral do FMI na época. De forma assustadoramente sincera, ele nos confessou que fora surpreendido alguns dias antes pelo presidente da Indonésia com uma pergunta sobre a melhor forma de combater a pobreza no seu país. Como não soube responder, porque nunca se debruçara sobre essa questão, queria os nossos conselhos.
A vontade política da maioria dos governantes (com poucas e honrosas exceções) não é exercida nos assuntos que não afetam diretamente a eles ou aos financiadores de suas campanhas.
Eles não vivem na pobreza, não passam fome nem participam pessoalmente das guerras que declaram.
No entanto, agem rapidamente para combater a crise financeira que atinge diretamente suas vidas. No Brasil -onde há uma das maiores cargas tributárias do mundo-, os serviços públicos são de tão baixa qualidade que a maioria dos governantes e financiadores de campanha não os utilizam. Aposto que a vontade política de melhorar educação, saúde e transporte público aumentaria consideravelmente se fossem utilizados por eles e suas famílias. Por isso é tão importante uma reforma política que elimine o financiamento privado das campanhas eleitorais e estimule a participação ativa da sociedade no acompanhamento do debate e da execução dos orçamentos públicos.
Será que estamos condenados a agir apenas após as grandes catástrofes, que, pela sua dimensão, acabam atingindo a todos? Nunca, em toda a história da humanidade, foi tão necessário agir preventivamente.
Aumenta a cada dia a distância entre ricos e pobres. Estamos esgotando rapidamente os recursos naturais. A humanidade está consumindo 50% a mais do que o planeta é capaz de repor. Estamos acabando com as florestas, envenenando rios, mares e o ar que respiramos. O aquecimento global já provoca grandes mudanças climáticas, derrete as calotas polares e eleva o nível dos oceanos.
Temos recursos e tecnologia para acabar com a fome e a pobreza, mudar a matriz energética e produzir produtos e serviços de baixo impacto ambiental. Os meios de comunicação, de informação e a indústria cultural têm poder para mudar, para melhor, comportamentos, prioridades e valores.
Será que devemos esperar novamente uma grande e, talvez, definitiva catástrofe para mobilizar todos esses recursos e só então trocar nosso insano modelo de crescimento por um outro que vise o desenvolvimento econômico, social e ambientalmente sustentável? Tomara que não. Depende de todos e de cada um de nós.

ODED GRAJEW, 64, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).