domingo, 17 de junho de 2007

Ser olhado, sob a óptica de Kundera.

O título é um pouco ambíguo, mas não resisto a um jogo de palavras...

Como estamos numa era em que tudo ou quase se resume à imagem como único atributo a ser considerado para qualquer análise que se faça a respeito de qualquer coisa ou pessoa, uma reflexão feita por Kundera é boa de ler:

"Todos nós temos necessidade de ser olhados. Podemos ser classificados em quatro categoria, segundo o tipo de olhar sob o qual queremos viver.
A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anônimos, em outras palavras, o olhar do público (...)
Na segunda categoria, estão aqueles que não podem viver sem o olhar de numerosos olhos familiares. São os organizadores incansáveis de coquetéis e jantares. São mais felizes que os da primeira categoria, que, quando perdem seu público, imaginam que a luz se apagou na sala de suas vidas. É o que acontece a quase todos, mais dia, menos dia. As pessoas da segunda categoria, pelo contrário, sempre conseguem arrumar quem as olhe. (...)
Em seguida, vem a terceira categoria, a dos que têm necesidade de viver sob o olhar do ser amado. A situação deles é tão perigosa quanto a daqules do primeiro grupo. Basta que os olhos do ser amado se fechem para que a sala fique mergulhada na escuridão. (...)
Por fim, existe a quarta categoria, a mais rara, a dos que vivem sob os olhares imaginários dos ausentes. São os sonhadores."

A que categoria pertencerão os olhos que lêem este texto?