segunda-feira, 9 de julho de 2007

Sobre a verdade...

"A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extraí-la sempre nova do seu próprio íntimo, caso contrário ele arruina-se. Viver sem verdade é impossível. A verdade é talvez a própria vida."
Franz Kafka, in 'Conversas com Kafka'

Brilhante o texto de Kafka. A ele nada devo acrescentar.

O foco deste post cairá pretensamente sobre como alcançá-la. (De fato, é muita pretensão que se conheça a resposta a que muitos tentaram chegar aos longo de séculos e nunca o fizeram, ou não o fizeram por perceberem que é algo que não se deve conhecer, ou se trate de uma experiência pessoal intransferível. Somente exporei aqui aquilo em que acredito, o que é verdadeiro para mim)

Numa entrevista que li de Isabel Allende em uma edição da Playboy - as entrevistas até superam as "matérias principais" às vezes -, relatando sobre o golpe de 73 no Chile, a tomada do poder por Pinochet, a queda de seu tio Salvador Allende, enfim muitas mudanças e perdas ao mesmo tempo. Ela afirma que, à medida que se vai sofrendo perdas, o que é supérfluo passa a perder a importância e tem seu real valor revelado.

Estendendo o raciocínio de Isabel Alllende, se o supérfluo é deixado de lado, logo o que resta só pode ser o essencial. Uma outra definição que tive sobre a verdade diz que "é o que continua". Assim é logico que a verdade fica quando se descarta o supérfluo. Sendo a verdade
"aquilo que todo o homem precisa para viver", pode-se chegar à seguinte questão: se, de fato, tentarmos destruir tudo que há dentro nós, sem falsas preservações ou auto-indugência, o que ficará?

"Um homem tem que estar preparado para se queimar na sua própria chama: como se pode renovar sem primeiro se transformar em cinzas?" Friedrich Nietzsche, in Assim falou Zaratrusta.

"Você é o contador de histórias de sua própria vida, e poderá ou não criar sua própria lenda."
Isabel Allende